“Luz” no campo de refugiados de Aida

1 de abril de 2014

Cisjordânia, 26 de março de 2014

“Aprendi que não podemos esperar que alguém nos ajude, isso não é viver, temos que nos desenvolver.”, diz Islam Jameel.

Islam, 35, cresceu no campo de Aida durante a primeira intifada. Logo depois de seu casamento, forças israelenses prenderam seu marido. Ahmed foi mantido em cativeiro por quatro anos até que foi libertado devido a problemas de saúde. “Durante seis meses não tive notícias dele, nem sequer sabia onde ele estava sendo mantido.”

Após três anos de tratamento intensivo, Ahmed começou a se recuperar. No sétimo mês de gravidez, Islam descobriu que seu bebê sofria de insuficiência de oxigênio nos órgãos vitais. Isso resultou em uma paralisia cerebral severa. Mohammad, agora com 13 anos, necessita de constante assistência em atividades básicas, como comer e andar. “Ele precisa de cuidado 24 horas , sete dias por semana.” Mohammad é uma das seis crianças, entre 5 e 14 anos que não freqüentam as escolas UNRWA.

Ahmad está desempregado e a principal fonte de renda da família vem do Programa de Segurança Social em Rede da UNRWA(Social Safety Net Program ,SSNP, em inglês). O programa fornece cestas básicas e assistência financeira para famílias pobres.

Além disso, Islam tem tomado iniciativa para mudar as circunstâncias da família através do projeto Noor, um grupo de empoderamento de mulheres. Em 2010, junto com 13 mães que enfrentam as mesmas dificuldades, iniciou-se o projeto Noor, que quer dizer Luz”, em árabe. A instituição gera renda para essas mães. A ideia é simples: elas ensinam estrangeiros a preparar pratos típicos palestinos. Em troca, recebem dinheiro pela aula e por uma refeição. O projeto Noor também vende livros de receita, feitos pelas organizadoras do projeto.

Esse dinheiro possibilitou a compra de muletas e cadeiras de rodas para cada uma das crianças. O projeto também gerou profundo efeito social na comunidade, “Antes, as pessoas tinham medo de levar crianças deficientes para as ruas, era considerado um tabu,” explica Islam. “Mas as pessoas estão se tornando cada vez mais confortáveis com a ideia da debficiência. Vêm percebendo que isso não significa vergonha para a criança nem para os famíliares.” A estimativa é de que aproximadamente 50 crianças deficientes vivem no campo de Aida.

Infelizmente o campo não oferece nenhum tipo de serviço para essas crianças. No passado, a UNRWA dispunha de fisioterapeutas para adultos e crianças. Porém, esses serviços foram interrompidos por falta de fundos.

Islam é agora a coordenadora do projeto e sua casa é a sede das aulas de culinária. Seu envolvimento com o projeto é considerado um de suas maiores realizações e Islam trabalha cada vez mais para expandir essa iniciativa. Com o lucro do projeto, Islam pensa em criar um centro de reabilitação e continuar mantendo a educação de seu filho.

A contribuição mais importante do projeto para a comunidade foi a amizade e o apoio coletivo entre os familiares e crianças. Quebrando barreiras e criando um espaço de amparo emocional para as mães, o projeto se tornou uma parte essencial para os moradores do campo de refugiados de Aida.