Estudantes sírios têm sonhos comprometidos pela falta de assistência básica

24 de junho de 2014

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“Uma manhã, saí para comprar um pouco de comida enquanto meu pai estava no trabalho”, disse o adolescente Mohammed, refugiado da Palestina no campo de Yarmouk, na Síria. “Quando voltei, um míssil havia atingido nossa casa. Minha mãe e duas de minhas irmãs foram mortas no impacto da bomba. Outras duas irmãs ficaram feridas na explosão.”

Em Yarmouk, os quatro anos de conflito sírio tiveram um impacto devastador sobre os residentes, incluindo os jovens refugiados da Palestina como Mohammed e outros estudantes que frequentavam as escolas da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA). Desde o início de julho de 2013, o campo vem enfrentando um cerco e o acesso ao mundo exterior foi quase completamente cortado, dificultando a entrada de alimentos e medicamentos.

Tabarak, estudante da nona série do campo de refugiados de Yarmouk, explicou o impacto: “Nossas aulas tiveram um rendimento muito baixo por causa da fome. Os alunos não conseguiam se concentrar na escola; eles costumavam desmaiar por causa da desidratação.”

Mohammed e Tabarak estavam entre os 120 alunos que foram capazes de sair do campo de refugiados para assistir aulas de apoio da UNRWA na Escola Palestina em Alliance, localizada em Damasco. Esse programa escolar ajuda aos alunos da nona série a passarem nos exames nacionais. “Como recebemos ajuda”, diz Tabarak, “a vida melhorou. Os professores voluntários ajudaram na nossa formação”.

O maior desafio para a UNRWA tem sido manter os serviços de financiamento para fornecer alimentação, educação, saúde e proteção aos refugiados da Palestina na Síria. Dos 540 mil refugiados da Palestina registrados na Síria, pelo menos 270 mil ficaram deslocados internamente e mais de 80 mil foram forçados a fugir para outros países.

A UNRWA tem sido capaz de responder rapidamente às necessidades humanitárias dos refugiados da Palestina na Síria, no Líbano e na Jordânia, em grande parte devido a uma contribuição de 28,1 milhões de dólares dos Estados Unidos, feita através do Gabinete de População, Refugiados e Migração do Departamento de Estado. Os recursos destinados ao apelo emergencial da Síria são imediatamente gastos com a entrega direta de assistência humanitária. Mas os avanços feitos para proteger os refugiados da Palestina na Síria têm alto risco de serem suspensos sem um substancial apoio financeiro de outros doadores.

Se doações significativas não forem recebidas até agosto, a UNRWA não será capaz de prosseguir com a próxima rodada de ajuda financeira que, como a vice-comissária-geral da entidade, Margot Ellis, explicou, “tem-se revelado como o melhor e mais flexível meio, com relação ao custo-benefício, para atender às necessidades mais urgentes dos refugiados da Palestina”. Sem essa assistência, cerca de 440 mil pessoas não seriam capazes de ter acesso as suas necessidades básicas.

As aspirações educacionais como a da jovem Tabarak estão particularmente em risco: “Queremos que o nosso futuro seja melhor e que nossos filhos não experimentem o que passamos. Nós gostaríamos de ser médicos e professores “, disse ela. “O meu desejo é estudar para ser professora de inglês.” Para manter esses sonhos de um futuro melhor, a UNRWA precisa ser capaz de garantir que os refugiados da Palestina possam satisfazer suas necessidades básicas.