Chefe da ONU pede esforços de todos pelo fim do derramamento de sangue em Gaza e Israel

22 de julho de 2014
O secretário-geral da ONU se reúne com o emir do Kuwait, o xeique Sabah Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah. Foto ONU/E. Debebe

O secretário-geral da ONU se reúne com o emir do Kuwait, o xeique Sabah Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah. Foto ONU/E. Debebe

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira (21), durante sua visita à região do Oriente Médio, que todas as partes se reúnam em torno aos esforços coletivos internacionais para colocar um fim às duas semanas de derramamento de sangue em Gaza e Israel e chegar a um cessar-fogo.

“Palestinos e israelenses merecem a liberdade – a liberdade do cerco, dos foguetes, dos mísseis, da artilharia e dos ataques aéreos. Eles merecem um futuro de esperança, paz e justiça”, disse Ban Ki-moon durante um encontro de imprensa em Cairo com o ministro das Relações Exteriores egípcio, Sameh Hassan Shokry Selim.

Ban Ki-moon está na terceira etapa de uma visita regional, destinada a expressar solidariedade com os israelenses e palestinos e para ajudá-los a acabar com a violência. A viagem, que começou no domingo (20), já levou o chefe das Nações Unidas para o Catar e Kuwait e também incluirá paradas em Jerusalém, Ramallah e Amã como parte dos esforços para incentivar um cessar-fogo duradouro.

“Este é um momento de profunda desafio na região”, disse o secretário-geral. “Mais uma vez, muitos civis, incluindo muitas crianças, estão pagando o preço dessa recente escalada. As imagens que vemos marcam a alma.”

A violência já custou a vida de centenas de palestinos e cerca de 25 israelenses. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) anunciou que o número de pessoas que procuram refúgio com a Agência, que abriu cerca de 70 abrigos, já ultrapassou a cifra de 100 mil.

“Este é um momento decisivo para a UNRWA, agora que o número de pessoas que procuram refúgio conosco é mais do que o dobro do que vimos no conflito em Gaza de 2009. Vemos uma enorme onda de deslocamento acelerado por causa da ofensiva terrestre israelense”, disse o porta-voz da UNRWA, Chris Gunness.

O secretário-geral sublinhou nesta segunda-feira (21) que a violência deve parar e deve parar agora. “Todos os lados devem fornecer o espaço necessário para ajudar as vítimas, prestar assistência aos feridos e providenciar alívio para os civis sitiados. Estas medidas imediatas devem abrir a porta para um cessar-fogo permanente”, afirmou.

O chefe das Nações Unidas afirmou que não basta simplesmente voltar para o mesmo lugar em que se encontrava a situação antes do último derramamento de sangue, ressaltando que “voltar ao status quo anterior não vai resolver o problema, ele só vai adiar para outro dia. Não vai parar o derramamento de sangue, mas irá torná-lo ainda pior na próxima vez que o ciclo se desloque sobre o povo de Gaza e assole o povo de Israel”, disse Ban Ki-moon.

“Gaza é uma ferida aberta e um curativo não vai ajudar”, acrescentou. “Deve haver um plano posterior, que permite Gaza respirar e se curar.”

Além do ministro das Relações Exteriores, Ban Ki-moon se reuniu no Cairo com o secretário-geral da Liga dos Estados Árabes, assim como secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry. Nesta terça-feira (22), antes de deixar o Egito, o secretário-geral deve se reunir com o presidente egípcio Abdel Fattah Al Sisi.

O secretário-geral disse que espera que os esforços conjuntos contribuam para a mediação em curso das partes na região para acabar com a violência.

“Os nossos esforços conjuntos estão enraizados em três esforços que se reforçam mutuamente”, disse Ban Ki-moon, que são encontrar uma maneira de acabar com a violência; instar as partes a retornar ao diálogo; e abordar as causas profundas da crise.

Ban Ki-moon se encontrou nesta segunda-feira (21) com o emir do Kuwait, o xeique Sabah al-Hamad Al-Jaber Al-Sabah, ocasião em que enfatizou que o cessar-fogo não era suficiente e que as causas profundas do conflito entre israelenses e palestinos deveriam ser tratados. Ban acrescentou que esforços adicionais deveriam ser feitos para fortalecer o governo palestino de unidade nacional, liderado pelo presidente Mahmoud Abbas, incentivando um diálogo interno palestino.

Por sua parte, o emir atualizou o secretário-geral sobre o seu recente encontro com o líder do Hamas, Khaled Mashal, que tinha ocorrido no Kuwait na véspera. Os dois também discutiram a situação política e humanitária no Iraque, ocasião em que o secretário-geral agradeceu a doação de 10 milhões de dólares do Kuwait para o trabalho humanitário da ONU no Iraque.

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