‘Ninguém em Gaza está seguro’, diz chefe da UNRWA

24 de julho de 2014
Pierre Krähenbühl, comissário-geral da UNRWA. Foto: UNRWA

Pierre Krähenbühl, comissário-geral da UNRWA. Foto: UNRWA

O comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Pierre Krähenbühl, classificou as “cenas de carnificina e sofrimento humano” vistas na escola em Gaza atingida por ataques desta quinta-feira (24) como “terríveis e intoleráveis”.

Segundo ele, a situação de segurança na área de Beit Hanoun estava se deteriorando rapidamente ao longo do dia. Segundo ele, a UNRWA tinha tentado negociar com as Forças de Israel uma pausa nos combates para garantir um corredor seguro para realocar funcionários e quaisquer pessoas deslocadas que gostariam de partir para um local mais seguro.

“A aprovação para esse pedido nunca chegou à UNRWA. Além disso, as coordenadas da escola tinham sido formalmente comunicadas às autoridades israelenses em 12 ocasiões, mais recentemente às 10:56 desta manhã”, disse Krähenbühl por meio de um comunicado.

Leia na íntegra, abaixo, o comunicado do comissário-geral da UNRWA:

Declaração do comissário-geral da UNRWA Pierre Krähenbühl

“As cenas de carnificina e sofrimento humano que testemunhamos hoje [quinta-feira 24] em nossa escola primária em Beit Hanoun são terríveis e intoleráveis, sendo difícil encontrar palavras para transmitir adequadamente a minha indignação.

Como já aconteceu tantas vezes neste conflito impiedoso, os civis estão pagando o preço mais alto da escalada militar em curso. Condeno este bombardeio e a extensa perda de vidas nos mais fortes termos possíveis. Exigimos uma investigação imediata para garantir que as circunstâncias e as responsabilidades sejam estabelecidas de forma abrangente.

A escola de ensino fundamental Co-Ed A e B da UNRWA em Beit Hanoun foi atingida por projéteis explosivos por volta das 14:55 de hoje, quando as hostilidades se intensificaram. O ataque causou a morte e ferimentos de vários civis palestinos deslocados que tinham procurado refúgio na instalação da ONU. A escola tinha sido designada como um abrigo de emergência da UNRWA.

A situação de segurança na área de Beit Hanoun estava se deteriorando rapidamente ao longo do dia. A UNRWA tinha tentado negociar com as Forças de Israel uma pausa nos combates para garantir um corredor seguro para realocar funcionários e quaisquer pessoas deslocadas que gostariam de partir para um local mais seguro. A aprovação para esse pedido nunca chegou à UNRWA. Além disso, as coordenadas da escola tinham sido formalmente comunicadas às autoridades israelenses em 12 ocasiões, mais recentemente às 10:56 desta manhã.

Esses palestinos, muitos deles mulheres e crianças, tinham chegado a esta escola em busca de refúgio acreditando que uma instalação da ONU ofereceria um maior nível de segurança. Essa crença foi baseada no compromisso vinculativo da comunidade internacional. E também sobre a obrigação de ambas as partes em combater sob a lei internacional e respeitar a inviolabilidade das instalações da ONU, e sobre os muitos anos em que a UNRWA tem feito o seu melhor para fornecer proteção ao povo palestino.

Esta é a quarta vez nos últimos quatro dias em que uma escola da UNRWA foi atingida por projéteis explosivos. A tragédia de hoje foi mais um exemplo de que ninguém em Gaza está seguro. Chamo mais uma vez todas as partes deste conflito para reconhecer e respeitar a neutralidade e a inviolabilidade das instalações da ONU. Apelo também por um cessar-fogo imediato para acabar com a matança e mutilação, bem como a devastação e traumas que marcarão a população ao longo de décadas. Basta.

Jerusalém, 24 de julho de 2014”