Ofensiva em Gaza já deixa 88 mortos, todos palestinos; ONU pede respeito ao direito internacional

11 de julho de 2014
Foto: UNRWA

Foto: UNRWA

“Estamos alarmados com as operações militares israelenses, resultando na morte de civis palestinos em Gaza, bem como no disparo indiscriminado de foguetes de Gaza contra Israel”, disse nesta sexta-feira (11) pela manhã o escritório da ONU para direitos humanos (ACNUDH).

Até a noite de quinta-feira (10), o escritório da ONU relatou que haviam morrido 88 palestinos em Gaza, incluindo pelo menos 21 crianças e 11 mulheres, como resultado de ataques israelenses desde o início da última operação militar, na terça-feira (8) à noite. Os relatórios sugerem que centenas de outros foram feridos.

Os relatos indicam que, desde o início da operação até o meio-dia de quinta-feira (10), os grupos armados palestinos dispararam um total de 809 foguetes e 61 morteiros. Relatos da mídia indicam que, até esse período, nove civis israelenses sofreram ferimentos enquanto fugiam para abrigos.

“Pedimos a todos os lados que cumpram suas obrigações sob a lei internacional de direitos humanos e o direito internacional humanitário. Os ataques não devem ser dirigidos contra civis ou alvos civis, tampouco meios militares devem ser empregados em áreas densamente povoadas, assim como ataques não devem serem lançados a partir de tais áreas”, disse o comunicado do ACNUDH.

O escritório da ONU informou que um comunicado de imprensa da alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, será emitido em breve.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) informou que a deterioração da situação na Faixa de Gaza foi marcada por mais ataques aéreos pesados e outros bombardeios ao longo das últimas 24 horas. Não há movimento nas ruas, enquanto bancos e estabelecimentos comerciais permaneceram fechados.

A maioria das instalações do governo não funcionou, exceto hospitais. Segundo a agência da ONU, as pessoas em Gaza estão assustadas e com medo do que pode acontecer a qualquer momento. (acompanhe a atualização da UNRWA aqui)

Funcionário de agência da ONU é atingido por bombardeio israelense

Em sua atualização diária, a UNRWA informou que ataques aéreos de Israel desta quinta-feira (10) destruíram uma tubulação que fornece água potável para um campo de refugiados em Gaza. A agência informou que esforços estão em andamento para repará-lo.

O número de mortes relatadas nas últimas 24 horas é de 23 pessoas, com 82 feridos, informou o comunicado. O número de mortos inclui uma mulher e seus quatro filhos – três meninas e um menino. Um membro da equipe da UNRWA também ficou ferido.

As Nações Unidas condenaram o lançamento indiscriminado de foguetes a partir de Gaza em áreas civis de Israel e a UNRWA condenou o uso da força pelas forças de segurança israelenses em Gaza, que segundo a agência estão fazendo vítimas civis – em violação do direito internacional humanitário.

Até agora, apenas um deslocamento muito limitado ocorreu e abrigos de emergência ainda não foram formalmente abertos, mas alguns moradores têm procurado as instalações da UNRWA, consideradas relativamente seguras.

Aproximadamente 180 pessoas usaram escolas da UNRWA como abrigos temporários na noite de 10 de julho. Quarenta e cinco palestinos usaram duas escolas na Cidade de Gaza e 135 palestinos se refugiaram em três escolas em Khan Younis.

Os níveis de preparação da UNRWA para esta situação são altos, mas a história mostra que a organização poderia ter de abrigar até 50 mil habitantes de Gaza deslocados em suas escolas, se ocorrer uma invasão terrestre.

No entanto, a organização mantém um estoque de itens não alimentares (NFI, na sigla em inglês) para menos de 35 mil pessoas, devido à escassez de recursos financeiros após as enchentes devastadoras de dezembro de 2013.

A UNRWA disse temer que os preparativos para uma ofensiva terrestre promovam um deslocamento em grande escala para áreas próximas ao muro de Israel. “A história tem mostrado que isso teria um enorme impacto sobre a população civil de Gaza, incluindo danos significativos para abrigos e infraestrutura, além de deslocamento e enorme perturbação para a economia”, disse o comunicado da UNRWA. (acompanhe a atualização da UNRWA aqui)