Secretário-geral agradece ‘esforços corajosos’ da equipe da ONU em Gaza

25 de julho de 2014
Crianças palestinas em abrigo da UNRWA, em Gaza: deslocados já são mais de 160 mil. Foto: UNRWA

Crianças palestinas em abrigo da UNRWA, em Gaza: deslocados já são mais de 160 mil. Foto: UNRWA

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, agradeceu nesta sexta-feira (25) os esforços corajosos dos funcionários da ONU em Gaza em meio ao conflito em curso e que a conta neste momento com mais de 140 mil pessoas deslocadas.

A conversa, através uma chamada de videoconferência com a equipe Gaza, aconteceu um dia depois de uma escola administrada pela UNRWA em Beit Hanoun, onde centenas de moradores de Gaza deslocados se refugiaram das hostilidades em curso, fosse atacada, resultando em várias mortes e feridos.

Ban Ki-moon expressou sua solidariedade com os funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), durante uma ligação de Cairo, onde encerra uma missão de emergência de uma semana que o levou ao Catar, Kuwait, Egito, Israel, Palestina, Jordânia, Arábia Saudita e Iraque.

“Continuo trabalhando muito duro para trazer um fim a esta situação intolerável”, Ban disse à equipe, que informou ao chefe da ONU sobre seus esforços para melhorar a situação humanitária em Gaza, bem como os desafios diários que enfrentam.

“O povo palestino aqui está sofrendo muito e realmente precisam da sua ajuda e da comunidade internacional”, disse um membro da equipe ao secretário-geral.

 

Integrantes da UNRWA conversam com o secretário-geral da ONU sobre a situação em Gaza. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan

Integrantes da UNRWA conversam com o secretário-geral da ONU sobre a situação em Gaza. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan

“Nós já prencheemos todos os abrigos seguros disponíveis”, disse um funcionário. “Precisamos de um fim às hostilidades e precisamos de um acordo que resolva o bloqueio e outros problemas de segurança e política.”

Hoje uma equipe da UNRWA, que incluiu um especialista em armas internacionais, foi até a escola para examinar a cena depois do incidente. No entanto, a missão teve de ser interrompida e o time foi forçado a deixar a área em meio a tiros em torno da escola.

“A UNRWA lamenta não ser capaz de completar até mesmo essa avaliação inicial”, disse o porta-voz da ONU, Farhan Haq. “Tentarão visitar o local quando a situação permitir.”

Agências da ONU condenam ataque à escola

O secretário-geral voltou a lembrar que todos os lados devem respeitar as suas obrigações internacionais de respeitar a integridade dos civis e inviolabilidade das instalações da ONU, bem como devem honrar suas obrigações para com os trabalhadores humanitários.

O ataque também foi condenado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que disse que o incidente é uma prova de que muito mais precisa ser feito para proteger as crianças inocentes. “Usar ou atacar instalações da escola, onde as crianças se refugiaram da violência, é inaceitável em qualquer circunstância”, disse em um comunicado.

Gordon Brown, o enviado especial da ONU para a educação global, disse que o ataque, assim como a morte de crianças inocentes, será percebido como um “ultraje internacional”, que entristecerá milhões em todo o mundo. “As escolas não devem ser teatros de guerra, mas sim um refúgio seguro para os meninos e meninas”, afirmou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu a criação de um corredor humanitário para ajudar a evacuar o grande número de pessoas feridas a partir de Gaza. O escritório local da OMS tem discutido esse tema com as autoridades israelenses ao longo dos últimos dias e as consultas também estão sendo realizadas com as autoridades egípcias.

Além disso, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) disse que está profundamente preocupado com o impacto do conflito em curso na saúde das mulheres e seu acesso a partos seguros. Os relatos de destruição de hospitais e unidades de saúde são particularmente perturbadores, já que cerca de 45 mil mulheres grávidas em Gaza precisam atualmente de cuidados pré-natais, disse a agência em um comunicado.

Cerca de 5 mil mulheres grávidas estão entre os 140 mil deslocados em abrigos temporários em toda Gaza – e o número de deslocados está crescendo rapidamente, com o anúncio de que passam de 160 mil nesta sexta-feira (25).

Devido ao estresse e à ansiedade crescentes, muitas destas mulheres são susceptíveis a enfrentar complicações obstétricas, enquanto o acesso aos serviços de saúde materna é cada vez mais limitado pelo conflito.

“É fundamental que a assistência humanitária, incluindo suprimentos médicos e equipamentos, obtenha uma passagem segura para Gaza para nos permitir prestar a assistência tão necessária para as mulheres grávidas”, disse o diretor executivo do UNFPA, Babatunde Osotimehin. “As mulheres grávidas, em particular, devem obter acesso sem entraves aos serviços de saúde materna para garantir a sua segurança durante a gravidez e o parto.”

Enquanto isso, o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) disse que o número de pessoas em Gaza que precisam de ajuda alimentar de emergência chegou a mais de 160 mil. Esta cifra se soma a outras 285 mil pessoas que o PMA ajuda regularmente com assistência alimentar.

A ajuda de emergência inclui produtos emergência prontos para o consumo para 140.469 pessoas deslocadas em Gaza que se refugiaram em escolas da UNRWA e para 10 mil pessoas que estavam abrigadas em prédios de escolas públicas.

Também inclui vale alimentação eletrônicos de emergência para 1.318 famílias desabrigadas – cerca de 7.908 pessoas – que vivem com famílias que as acolheram. Além disso, cerca de 2 mil pacientes e funcionários de hospitais continuam a receber rações alimentares de emergência