Secretário-geral da ONU pede que Israel colabore por solução de dois estados

23 de julho de 2014
Crianças palestinas choram durante o funeral de Sarah Omar el-Eid, de apenas quatro anos de idade, de seu pai e uma outra parente. Eles foram mortos em um ataque aéreo em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 15 de julho. Foto: UNICEF/Eyad El Baba

Crianças palestinas choram durante o funeral de Sarah Omar el-Eid, de apenas quatro anos de idade, de seu pai e uma outra parente. Eles foram mortos em um ataque aéreo em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 15 de julho. Foto: UNICEF/Eyad El Baba

Com a guerra entrando no seu décimo sexto dia entre forças israelenses e do Hamas, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se reuniu nesta quarta-feira (23) com autoridades de Israel e dos Estados Unidos em Jerusalém e voltou a pedir a todas as partes um cessar-fogo para os combates que já mataram mais de 600 palestinos e 32 israelenses.

Em Jerusalém, o chefe da ONU se reuniu com o presidente israelense, Shimon Peres, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Liberman, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry. Nesta ocasião, Ban sublinhou a necessidade do estabelecimento de uma vez por todas de uma paz duradoura.

“Em primeiro lugar e acima de tudo, a violência deve parar agora. Temos que começar imediatamente o diálogo e resolver todas as causas que já foram identificadas”, disse o secretário-geral da ONU, enfatizando que nos últimos cinco anos essa é a sua terceira missão urgente à região. “Realmente me dói ver que esta violência continua periodicamente. Isso significa que temos de trabalhar mais, que temos falhado coletivamente para trazer a paz e segurança.”

O chefe da ONU também expressou sua solidariedade com o povo de Israel, que está sob ataques de foguetes, e com os palestinos que sofrem agressividades massivas. E lembrou que não há mais tempo a perder, já que o número de mortos aumenta a cada hora.

“Não posso e não vou ficar calado diante desta tragédia. Eu lamento a perda de tantas vidas inocentes em Gaza e sofro com as famílias”, disse Ban, recordando que até o momento 600 palestinos morreram e 3 mil ficaram feridos, a maioria deles civis.

Uma vez que o cessar-fogo entre em vigor, o secretário-geral ressaltou a necessidade urgente de tratar as questões subjacentes, incluindo o fim da ocupação e a humilhação diária e raiva que vem com ela.

O secretário-geral solicitou ao presidente Peres, que deixa o cargo em agosto, para trabalhar estreitamente com o seu homólogo palestino, Mahmoud Abbas, para estabelecer um “futuro de dois Estados vivendo lado a lado em paz e segurança”.

Ban também se reuniu com o ministro de Relações Exteriores de Israel nesta quarta-feira (23) e sublinhou a necessidade de aliviar a terrível situação humanitária em Gaza. Ele ressaltou a importância de garantir a liberdade sem restrições de circulação dos atores humanitários e suas operações.

Depois de uma reunião com Kerry, o chefe da ONU destacou que eles estão “unindo forças e esforços para fazer com que o cessar-fogo seja possível”, mas alguns detalhes ainda precisam ser definidos em um novo encontro entre o líder da ONU e o representante dos Estados Unidos.

Ataques de Israel já deixaram mais de 600 mortos, entre os quais 168 crianças

Até esta quarta-feira (23), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) já registrou o assassinato de pelo menos 168 crianças palestinas por ataques aéreos e bombardeios em Gaza – uma média de dez por dia.

A única mais nova criança tinha apenas 4 meses de idade; 70% das crianças mortas tinham 12 anos de idade ou menos. As crianças representam 32% das vítimas civis, informou a agência da ONU.

Pelo menos 1.100 crianças palestinas foram feridas em Gaza; pelo menos 6 crianças israelenses foram feridas em Israel.

Desde o início das hostilidades, 85 escolas – 48 da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) e 37 públicas – foram danificadas devido a ataques aéreos israelenses ou bombardeios contra alvos próximos.

Duas escolas da UNRWA em Gaza foram usadas por grupos armados palestinos para armazenar mísseis, violando a neutralidade das escolas. No sul de Israel, uma escola israelense foi danificada por disparos de foguetes a partir de Gaza.

ONU Mulheres: Mulheres e crianças suportam “peso dessa tragédia e suas consequências devastadoras”

A Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) mostrou através de um comunicado divulgado nesta terça-feira (22) sua “profunda preocupação” com a escalada de violência na crise relacionada com Gaza, lembrando que os efeitos catastróficos são sentidos, em grande parte, por mulheres e crianças.

“Mulheres e crianças de ambos os lados suportam o peso dessa tragédia e suas consequências devastadoras. A ONU Mulheres está alarmada com o elevado número de mulheres e crianças palestinas que perderam suas vidas ou foram feridas na atual crise”, disse a agência da ONU.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), dos cerca de 3 mil palestinos feridos, 904 são crianças e 533 são mulheres.

A agência se uniu ao secretário-geral das Nações Unidas e ao Conselho de Segurança no pedido por um cessar-fogo imediato e na autorização de um acesso humanitário. “Enquanto a resposta a essa crise imediata é vital para salvar vidas, uma solução política é imperativa para permitir uma paz duradoura e o desenvolvimento que beneficie a todos, independente da sua raça, idade ou gênero”, concluiu o comunicado.