Secretário-geral da ONU pede que israelenses e o Hamas aceitem acordo de cessar-fogo

16 de julho de 2014
Médicos levam crianças da Palestina feridas durante um ataque aéreo de Israel contra a cidade de Gaza para o Hospital Al-Shifa, em 11 de julho. Pelo menos 40 crianças foram mortas em ataques aéreos em Gaza, com mais de 300 feridos. Em Israel, 4 crianças foram feridos por foguetes. Foto: UNICEF/Eyad El Baba

Médicos levam crianças da Palestina feridas durante um ataque aéreo de Israel contra a cidade de Gaza para o Hospital Al-Shifa, em 11 de julho. Pelo menos 40 crianças foram mortas em ataques aéreos em Gaza, com mais de 300 feridos. Em Israel, 4 crianças foram feridos por foguetes. Foto: UNICEF/Eyad El Baba

“Me senti encorajado quando o governo israelense aceitou a proposta de cessar-fogo negociada pelo presidente egípcio, mas, ao mesmo tempo, me preocupou e decepcionou profundamente que o Hamas não aceitasse essa proposta e a violência recomeçasse entre ambas as partes”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante uma coletiva de imprensa no Haiti nesta terça-feira (15), onde estava em uma viagem oficial.

O chefe da ONU havia conversado com o presidente egípcio Abdul Fatah Khalil Al-Sisi no último domingo (13), quando expressou o seu apoio à iniciativa de acordo de cessar-fogo coordenada pelo chefe de Estado do Egito.

Na ocasião, o porta-voz da ONU, Farhan Haq, alertou que Ban se encontrava “profundamente preocupado que a luta não tenha acabado, apesar da disponibilidade de Israel em aceitar a proposta de cessar-fogo e o apoio da Autoridade Palestina”.

Diante do novo impasse, o secretário-geral pediu a todas as partes que voltem à mesa de diálogo e usem todos os esforços possíveis para facilitar um cessar-fogo, que representa “a única opção viável neste momento”.

“Minha mensagem é que esta violência deve terminar. As duas partes – a Autoridade Palestina e os israelenses – devem recomeçar o diálogo da paz o mais rápido possível”, disse Ban.

Ele lembrou que esta é a terceira escalada de violência que ocorre na Faixa de Gaza, sendo a primeira no final de 2008 e começo de 2009 e a segunda em 2012, com um cessar-fogo ocorrendo em novembro de 2012. “É inaceitável que a violência ocorra periodicamente dessa forma”, afirmou.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) disse nesta terça-feira (15), que o tamanho da perda humana e destruição em Gaza, como resultado do atual conflito com Israel, tem sido “imenso”, descrevendo que os oito dias de hostilidade resultaram na morte de 194 pessoas e deixaram mais de 1.390 feridas.

“Essa cifra aumenta a cada hora”, disse o porta-voz do UNRWA, Sami Mshasha. “Nós notamos que um grande número de pessoas mortas e feridas eram crianças e isso traz uma enorme preocupação para o UNRWA.”

No total, 1.370 residências foram severamente danificadas ou completamente destruídas por bombardeios aéreos israelenses, deixando mais de 8 mil pessoas sem casa.

O porta-voz do UNRWA disse que há uma grande expectativa sobre o cessar-fogo e, caso isso não ocorra, existem receios de que “os civis em Gaza terminarão pagando novamente o preço final”.

Desde que as hostilidades começaram, há pouco mais de uma semana, lideranças da ONU e o Conselho de Segurança já pediram para pôr fim aos ataques, restaurar a calma e restituir o cessar-fogo estabelecido em 2012.

Acompanhe a situação em Gaza em www.onu.org.br/especial/gaza