‘A responsabilização pelas violações dos direitos em Gaza é fundamental para a paz’, diz ONU

24 de setembro de 2014
Foto: UNICEF/Eyad El Baba

Foto: UNICEF/Eyad El Baba

“Esta última escalada mortal de hostilidades em Gaza foi apenas a mais recente de uma série de escaladas repetidas ao longo dos últimos seis anos. Mas desta vez o nível de morte e destruição foi ainda mais devastador do que antes”, disse a vice-alta comissária da ONU para os direitos humanos, Flavia Pansieri, ao apresentar o novo relatório do seu escritório (ACNUDH) ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

O relatório apresenta informações preliminares recolhidas pela ACNUDH no território palestino ocupado, durante o período de 12 junho a 26 agosto de 2014, e alerta sobre graves violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário, incluindo algumas que podem ser consideradas crimes de guerra.

Os dados preliminares do documento mostram que 1.479 das mortes palestinas de um total de 2.158 eram civis, incluindo 506 crianças. Além disso, 384 pessoas mortas na Palestina ainda não foram reconhecidas.

Em Israel, foram mortos 66 soldados e cinco civis, incluindo uma criança e um estrangeiro, durante as hostilidades. Uma pessoa ainda não foi reconhecida. Mais de 100 mil palestinos em Gaza ficaram sem casa para retornar depois do cessar-fogo. Um total de 497 mil pessoas, mais de um quarto de toda a população de Gaza, ficaram deslocadas internamente.

“Agora que a escalada parece ter terminado, a atmosfera passou de medo ao desespero. As trágicas mortes de milhares de pessoas de Gaza no Mediterrâneo nos últimos dias mostram o quão desesperada muitas pessoas estão para escapar de sua situação miserável”, disse Pansieri.

Ela disse que é de fundamental importância que sejam tomadas medidas a nível nacional para garantir a responsabilização por violações do direito internacional. Pansieri exortou ambos os lados, palestinos e israelenses, a conduzir suas próprias investigações, que deve ser imediata, completa, eficaz, independente, imparcial e transparente. “A paz não será alcançada sem respeito pelos direitos humanos internacionais e direito humanitário internacional”, acrescentou.