UNRWA apela para comunidade de doadores para que tomem posição firme contra a transferência forçada de beduínos palestinos

24 de setembro de 2014
UNRWA

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A UNRWA pediu à comunidade de doadores neste domingo (21) para intensificarem sua oposição à transferência prevista de milhares de beduínos das áreas centrais da Cisjordânia para a cidade recém-criada de Nweima, perto de Jericó.

“Caso o plano de remoção seja implementado, não só gera a preocupação da realização de uma transferência forçada que violaria a Quarta Convenção de Genebra, como também pode abrir caminho para expansão dos assentamentos ilegais de Israel e, assim, comprometer ainda mais a viabilidade de uma solução para os dois estados”, disse o comissário-geral da UNRWA, Pierre Krähenbühl. “Apelo às autoridades israelenses para não prosseguirem com as transferências e também cobro a comunidade de doadores e o estado para tomarem uma posição firme contra esse projeto.”

Em abril de 2014, as autoridades israelenses tornaram público um plano para realocar comunidades rurais de beduínos que vivem em toda a Cisjordânia. As comunidades são divididas em três áreas, Nweima, al Jabal e Fasayil. O grande alvo dessas transferências seriam as comunidades de refugiados da Palestina registrados na UNRWA. Também incluem grupos que residem nas áreas E1 e Ma’ale Adumim, perto de Jerusalém, áreas programadas para nova e possível expansão de assentamentos israelenses.

“O impacto humanitário causado pelas transferências planejadas pode ser imenso”, disse Krähenbühl. “Os planos para Nweima, publicados em 25 de agosto e 9 de Setembro, indicam que a mudança proposta poderia levar ao deslocamento de até 12 mil indivíduos.” Há preocupação de que as remoções sejam implementadas logo após a aprovação final do plano de Nweima , e que ordens de demolição sejam executadas, destruindo casas e meios de subsistência dessas comunidades”.

A comunidade beduína se opôs expressamente contra a remoção. Como refugiados da Palestina, os beduínos desejam ter autorização para regressar as suas terras tradicionais no Negev. Na pendência desta situação, querem permanecer nos locais onde residem atualmente.

Muitos beduínos vivem sob ameaça diária de deslocamento devido a demolições de suas propriedades, ordens de apreensão e confiscos. As comunidades são afetadas por não terem acesso a um sistema de zoneamento e planejamento justo e não discriminatório. Na sequência da publicação do plano de Nweima, a ameaça dos beduínos perderem suas casas é maior do que nunca.

Em 1997, várias comunidades de beduínos foram transferidas para uma área em torno do maior aterro na Cisjordânia, em al Jabal. Resultando no colapso de suas economias pastorais e danos irreversíveis a sua cultura e modo de vida rural.

Muitos dos beduínos direcionados para a transferência residiram por décadas nas atuais localizações, para onde escaparam quando abandonaram suas terras ancestrais por conta do conflito de 1948 entre árabes e israelenses. Após a ocupação israelense na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, essas comunidades têm testemunhado o crescimento de assentamentos israelenses no entorno.

A comunidade internacional, incluindo o Conselho de Segurança e a Corte Internacional de Justiça, condenaram o estabelecimento de assentamentos em território palestino ocupado como sendo uma violação do direito internacional.