Controle de doenças contagiosas nos campos de refugiados é prioridade para UNRWA

3 de outubro de 2014
UNRWA

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Ao longo das últimas décadas, o programa de saúde da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) reduziu drasticamente o índice de doenças transmissíveis ​​entre os refugiados da Palestina na Síria, através de campanhas de vacinação. Nesse sentido a saúde dos refugiados da Palestina espelha cada vez mais as tendências mundiais, onde as doenças não transmissíveis, como câncer, hipertensão e diabetes, são cada vez mais as causas dos riscos à saúde.

Agora, em clínicas na Síria, os médicos da UNRWA estão lidando diariamente com doenças que eram inimagináveis ​​há pouco tempo atrás. “Nós ainda estamos lidando com diabetes e doenças crônicas”, diz um médico no abrigo para deslocados internos perto de Damasco. “E agora também lidamos mais e mais com doenças de pele como sarna e outras doenças como a diarreia.”

Tais doenças são causadas por condições de superlotação nos abrigos e campos de refugiados. A escassez de água potável também é um fator importante na disseminação dessas doenças. Mais de 50 % dos refugiados da Palestina na Síria (incluindo a equipe da UNRWA) foram forçados a fugir de suas casas e arranjar abrigos em outras áreas. “Nós também vemos mais casos de pressão alta, estresse e depressão, o que não é surpreendente em uma área que constantemente sofre com ataques de morteiros. Ao todo, o número de consultas por dia passou de 100 antes do conflito, para mais de 500 hoje”, explica o médico.

Um dos membros de saúde da UNRWA na Síria está preocupado com a possível disseminação de doenças contagiosas. “A maioria dessas doenças estão relacionadas à água de qualidade. Muitas das tubulações responsáveis pelo abastecimento de água foram afetadas pelos combates e as bombas restantes não são fortes o suficiente para levar água para a superfície. Os testes realizados mostraram que a pouca água que sai da torneira, muitas vezes não contém cloro”, diz o membro da equipe.

Tal surto de doenças contagiosas foi temido em Yarmouk, um dos lugares mais difíceis de alcançar na Síria. Quando a equipe da UNRWA ouviu rumores de febre tifoide em uma missão de distribuição de alimentos para Yarmouk em julho, os médicos não perderam tempo em recolher amostras para testes, alguns dos quais retornaram positivos. Dentro de 24 horas, a UNRWA tinha transferido medicamentos para o tratamento de febre tifoide em Yarmouk. A velocidade da resposta foi crucial na prevenção de um surto; o número de novos casos já está sob controle.

Os funcionários da UNRWA permanecem positivos sobre o gerenciamento de surtos devido a um sistema de alerta eficaz. Todo paciente que visita uma clínica de saúde da UNRWA ou ponto de saúde temporário faz automaticamente um exame que detecta uma série de doenças contagiosas. Os casos positivos são imediatamente levados ao conhecimento do alto escalão de funcionários da UNRWA.

No escritório da UNRWA em Damasco, os estoques de medicamento são mantidos em caso de um surto.

Clínicas individuais também estocam por três meses medicamentos em caso de interrupção no fornecimento de Damasco. No entanto, o aumento dos preços e os desafios logísticos continuam a ser um problema em toda a Síria. A acessibilidade é a maior preocupação para a UNRWA, dado que as áreas que mais necessitam tendem a ser isoladas, inseguras e de difícil acesso.

O apoio de doadores tem sido essencial para permitir a UNRWA responder com sucesso às necessidades dos refugiados da Palestina. O EuropeAid financiou uma grande parte do trabalho de saúde da UNRWA, permitindo que mais de 371 mil refugiados tenham acesso aos serviços de saúde entre janeiro e junho de 2014. O financiamento do EuropeAid continua apoiando o fornecimento de medicamentos essenciais para mais 340 mil refugiados.