Secretário-geral da ONU ressalta urgência de concretizar promessas de assistência a Gaza

22 de outubro de 2014
Até o momento mais de 100 mil habitantes de Gaza permanecem sem moradia. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan

Até o momento mais de 100 mil habitantes de Gaza permanecem sem moradia. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan

Após sua visita a Gaza na última semana, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta terça-feira (21) ao Conselho de Segurança que as promessas de reconstrução do enclave devastado pela guerra devem rapidamente se materializar em assistência concreta, principalmente com a chegada do inverno.

Até o momento mais de 100 mil habitantes de Gaza permanecem sem moradia, enquanto 50 mil ainda estão sendo abrigados pelas Nações Unidas. Muitos ainda não tem acesso à rede municipal de água e cortes de energia elétrica de até 18 horas são comuns.

Ban reiterou a urgência da situação na região, que precisa imediatamente de 414 milhões de dólares para assistência humanitária,1,2 bilhões de dólares para as primeiras necessidades de recuperação e 2,4 bilhões para os esforços de reconstrução.

Além disso, o secretário-geral clamou pela investigação dos incidentes que mataram muitos inocentes em áreas assistidas por instalações das Nações Unidas. Um conselho de inquérito independente foi criado para investigar os casos mais graves, bem como as circunstâncias em que foram encontrados armamentos nas instalações da ONU.

Apesar da dura realidade que afeta a região, Ban disse ter deixado Gaza com esperança. Durante sua visita, as primeiras entregas de materiais de construção urgentemente necessários chegaram através de um mecanismo mediado por seu Coordenador Especial. Ele também saudou a oferta da Turquia de um navio para servir como usina de energia temporária.

Um estado palestino viável e independente

No entanto, o crescente número de ataques dos colonos e os planos de Israel de realocar cerca de 7 mil beduínos palestinos de suas posições atuais na região central da Cisjordânia – dos quais a maioria é de refugiados – continuam sendo uma grande preocupação.

A retomada das negociações indiretas de cessar-fogo entre Israel e os palestinos, sob os auspícios do Egito, são um passo bem-vindo, de acordo com Ban, que elogiou os passos de Israel para aliviar as restrições à circulação e ao comércio na Cisjordânia e em Gaza.

Porém, não haverá esperança para a estabilidade a longo prazo em Gaza caso não sejam abordadas as causas subjacentes ao conflito. Para isso, é necessário priorizar o fim da ocupação que já dura quase meio século, além da realização de um levantamento completo do bloqueio à Faixa de Gaza e de uma abordagem efetiva às legítimas preocupações de segurança de Israel.

Em última análise, a estabilidade a longo prazo requer um acordo de paz abrangente, que leve a um estado palestino viável e independente, disse Ban Ki-moon.