UNRWA intensifica resposta humanitária para atender às necessidades críticas da população na Faixa de Gaza

20 de outubro de 2014
A UNRWA estima que cerca de 17 mil casas foram destruídas ou danificadas, deixando 100 mil pessoas desabrigadas em Gaza. Foto: Arquivo da UNRWA/Shareef

A UNRWA estima que cerca de 100 mil casas foram destruídas ou danificadas, deixando 600 mil pessoas desabrigadas em Gaza. Foto: Arquivo da UNRWA/Shareef

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) intensificou sua resposta humanitária para atender às necessidades críticas da população na Faixa de Gaza uma semana após a grande conferência no Cairo realizada no dia (11) sobre a reconstrução da Faixa de Gaza e a visita do primeiro-ministro palestino, Rami Hamdallah e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

A UNRWA anunciou nesta segunda-feira (19) que seu foco é o fornecimento de serviços de alimentação, água e saneamento para mais de 40 mil deslocados em 18 de suas instalações. A agência também realiza um trabalho psicossocial com foco especial nas crianças. Doações financeiras estão sendo feitas para aqueles que perderam suas residências, assim como reparos urgentes nas 118 instalações da agência, para que seus serviços funcionem em plena capacidade.

“Nosso objetivo imediato é ajudar e garantir que algumas das famílias mais afetadas sejam capazes de melhorar sua situação rapidamente”, disse o porta-voz da UNRWA ,Chris Gunness, acrescentando que a prioridade urgente continua sendo a reconstrução para um grande número de pessoas.

Como as avaliações das propriedades destruídas continuam, a UNRWA aumentou em sua última revisão o número de casas destruídas e pessoas afetadas. “Nós estimamos agora que mais de 100 mil casas foram danificadas ou destruídas, afetando mais de 600 mil pessoas. Estes são os números mais recentes e tendem a subir de modo que os assistentes sociais e engenheiros da UNRWA continuam fazendo as inspeções” afirmou Chris Gunness.

Na conferência internacional no Egito realizada no dia (11), os doadores prometeram cerca de 5,4 bilhões de dólares em doações para a reconstrução de Gaza. Dois dias mais tarde o secretário-geral da ONU visitou o território devastado pelo conflito. Ban pode observar a destruição causada pelo mais recente conflito que qualificou como “sem descrição”. Na ocasião, o chefe da ONU se reuniu com ministros do Governo de Consenso Nacionale fez um apelo para que os ministros concentrem todos os esforços na “construção de uma Palestina”.

O comissário-geral da UNRWA, Pierre Krähenbühl, disse que a dimensão da tarefa que a agência tem pela frente está se tornando clara e a intensificação do ritmo de trabalho para recuperação e os serviços de emergência realizados refletem isso.

“A conferência no Cairo marcou compromissos importantes, que saudamos. No dia a dia, somos confrontados com grandes expectativas por milhares de famílias que estão passando por necessidades críticas. Por isso, pedimos que as promessas sejam rapidamente transformadas em contribuições reais que permitam a UNRWA iniciar o processo de reconstrução”, declarou Krähenbühl.

O acesso a materiais de construção na Faixa de Gaza é crítica. A UNRWA tem apelado para o fim do bloqueio e voltou a indicar que este é um parâmetro essencial para permitir que Gaza consiga sair de anos de sofrimento, desemprego e falta de perspectiva.

Nas próximas semanas, o acesso de material deve ser facilitado pelo mecanismo temporário recentemente negociado. Conforme o secretário-geral da ONU indicou, se aplicado de boa fé, poderia gerar uma diferença importante no processo de reconstrução. A UNRWA ressalta que o povo de Gaza precisa de atenção e apoio nesta fase crítica, especialmente com a proximidade do inverno.

“A população também precisa de uma mudança de paradigma, com o fim da dependência de ajuda humanitária, o fim das restrições à circulação de pessoas, comércio e empregos impostas pelo bloqueio. Além disso, a liberdade de viajar, de importar e exportar e alcançar a autossuficiência continuam sendo um fator imperativo”, disse a UNRWA.