Após 65 anos, situação dos refugiados palestinos já deveria estar totalmente resolvida, diz ONU

5 de novembro de 2014
Palestinos fazem buscas nos escombros das casas destruídas em Khuzaa, na Faixa de Gaza. Foto: Arquivo da UNRWA/Shareef Sarhan

Palestinos fazem buscas nos escombros das casas destruídas em Khuzaa, na Faixa de Gaza. Foto: Arquivo da UNRWA/Shareef Sarhan

A ação política por parte da comunidade internacional é urgentemente necessária para enfrentar questões fundamentais que determinam o destino e o sofrimento dos mais de 5,1 milhões de refugiados palestinos no Oriente Médio, disse o comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Pierre Krähenbühl, nesta terça-feira (4).

“Negligenciar a situação dos refugiados palestinos é um risco que o mundo não pode assumir”, disse Krähenbühl. “Agora é essencial que a comunidade internacional apoie o governo palestino de Consenso Nacional para liderar o caminho da reconstrução de Gaza”, disse ele aos membros da Quarta Comissão da Assembleia Geral da ONU, observando que “ainda há muito a ser feito.”

Na ocasião, ele citou a Resolução 194 da Assembleia Geral da ONU, adotada em 11 de dezembro de 1948, que estabelece o início de negociações concretas para firmar uma paz duradoura no Oriente Médio e resolver a situação “temporária” dos refugiados palestinos.

Segundo o chefe da UNRWA, esta Resolução estabelecia que “medidas construtivas” deveriam ser realizadas em um curto prazo, tendo em vista que elas cessariam a assistência internacional de alívio para a região. “Nós ainda estamos esperando, depois de 65 anos, que essas ‘medidas construtivas’ sejam concretizadas”, acrescentou.

Situação dos refugiados palestinos

A última crise em Gaza deixou mais de 1.500 civis mortos, incluindo 538 crianças, 306 mulheres e 11 funcionários da UNRWA. No auge da violência, quase um terço da população de Gaza fugiu de suas casas e a UNRWA protegeu e ajudou quase 300 mil pessoas deslocadas em 90 escolas.

Já na Cisjordânia, o comissário-geral disse que a situação dos 750 mil refugiados palestinos tem se deteriorado desde o ano passado, com um aumento de ataques aos palestinos e restrições sistemáticas de Israel na livre circulação dos palestinos e seu acesso ao comércio, o que tem causado pobreza generalizada e desemprego. Além disso, as pressões decorrentes para a construção de assentamentos ilegais têm agravado ainda mais a situação. Em 2014, 46 palestinos foram mortos na Cisjordânia, sendo que 18 deles eram refugiados.

Déficit no fundo geral da UNRWA

O chefe da UNRWA pediu que os Países-membros contribuam com o fundo geral da agência até o final do ano, pois esta enfrenta um déficit de 56 milhões de dólares, o que equivale aos custos operacionais de um mês. Ele lembrou do papel de destaque que a agência exerce não só para os refugiados palestinos, mas também para toda a região ao trazer estabilidade através de suas ações a uma região de profunda insegurança.

No geral, a UNRWA precisa de 1,68 bilhão de dólares para reconstruir 14 mil casas destruídas para os refugiados, reparar mais de 70 mil moradias e 118 edifícios da agência da ONU, além de reabilitar a infraestrutura dos campos e proporcionar alívio essencial como comida e abrigo temporário para aqueles que necessitam.