Gaza: UNRWA precisa de 620 milhões de dólares para reparar casas e abrigar palestinos durante inverno

22 de dezembro de 2014
Menino sentando nos escombros em Gaza. Foto: Arquivos UNRWA

Menino sentando nos escombros em Gaza. Foto: Arquivos UNRWA

Mais que o dobro de casas inicialmente estimadas de famílias de refugiados da Palestina em Gaza foram danificadas ou destruídas durante o último conflito, de acordo com a recém concluída avaliação técnica realizada pela Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).

Segundo o diretor de operações da UNRWA, Robert Turner, a avaliação preliminar feita com base em imagens de satélite e pesquisa de campo estimou que 42 mil casas de famílias de refugiados tinham sido afetadas pela guerra. No entanto, o último estudo revela que o número total é de 96 mil casas danificadas ou destruídas, o dobro do que a agência da ONU esperava encontrar.

A destruição está presente em toda a Faixa de Gaza, mas apresenta uma maior concentração nas áreas ao longo da fronteira no leste do território. O processo de avaliação envolveu quase 700 assistentes sociais e engenheiros, que trabalharam em praticamente todos os bairros de Gaza para reunir os dados.

Mais de 7 mil casas de refugiados da Palestina foram completamente destruídas, afetando cerca de 10 mil famílias. Outras 89 mil casas sofreram danos e, dentre elas, a reparação de ao menos 10 mil residências custariam mais de 5 mil dólares por unidade. “Esses números são enormes e representam um grande desafio para a Agência que trabalha para fornecer abrigo transitório e apoio na reconstrução,” disse Turner, que acrescentou que o mapa mostra claramente que não havia nenhum lugar seguro para os palestinos se refugiarem durante os 50 dias do conflito.

Atenção requer 620 milhões de dólares

Segundo as estimativas da UNRWA, o custo total para oferecer abrigo, reconstruir casas e renovar as residências é de 720 milhões de dólares. Até o momento, cerca de 100 milhões de dólares foram prometidos, deixando uma lacuna de 620 milhões.

De acordo com Turner, a principal preocupação agora não é só a dimensão da quantia solicitada, mas a velocidade em que a agência será capaz de atender às necessidades.

“A menos que a situação mude com urgência, vamos ficar sem fundos em janeiro, o que significa que não seremos capazes de fornecer subsídios de aluguel para muitas famílias afetadas”, adicionou. “Se a UNRWA cessar os pagamentos para as famílias afetadas, o impacto seria dramático: dezenas de milhares de famílias de refugiados teriam de buscar abrigos inadequados e ficariam sem apoio durante os meses mais difíceis do inverno”.