Isolamento, exclusão e expropriação dos Refugiados da Palestina é uma “bomba-relógio”, diz o comissário-geral da UNRWA

18 de junho de 2015
Refugiados da Palestina que vivem em áreas de conflito na Síria enfrentam dificuldades brutais. Foto: UNRWA / Taghrid Mohammed

 “O isolamento, exclusão e expropriação dos Refugiados da Palestina na Síria, Gaza, Cisjordânia, Jordânia e Líbano representam uma bomba-relógio para a região do Oriente Médio”, declarou o comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Pierre Krähenbühl.

Durante seu discurso na reunião do reunião do Comitê Consultivo da (UNRWA) na terça-feira (15) em Amã, na Jordânia, onde o Brasil participou pela primeira vez como membro, Krähenbühl disse que “mais que cinco milhões de refugiados da Palestina hoje enfrentam uma crise existencial em várias frentes”, alegando que “a negação da dignidade e dos direitos humanos deles precisa ser resolvida”.

Ele chamou a atenção para a situação dos refugiados em toda a região: “Na Palestina, eles estão se aproximando dos 50 anos de ocupação. Ser um refugiado da Palestina em Gaza significa ser vítima de um bloqueio que afeta todos os aspectos de sua vida, sendo dependente de ajuda alimentar, de educação e sonhando em ser autossuficiente”.

“Ser um refugiado da Palestina no campo de Aida, perto da cidade de Belém, significa viver com medo de incursões e detenções diárias, e também angustiado por conta da negação ao acesso a oportunidades”.

Ser um refugiado da Palestina no campo de Yarmouk, em Damasco, na Síria, nos dias de hoje, significa ser um residente preso por um cerco impiedoso, com constantes bombardeios e violência, além de restrição ao acesso a água, comida, eletricidade e saúde básica”.

“Ser um refugiado da Palestina no campo de Nahr El Bared, no Líbano, significa viver tentando lidar com a frustração de que ainda vivem em abrigos temporários precários, mesmo após oito anos da destruição do campo”.

O comissário-geral pediu uma ação urgente e combinada para resolver as causas políticas subjacentes a esta situação, acrescentando que as consequências humanitárias da inércia estão crescendo exponencialmente.

Krähenbühl também ressaltou que a agência está enfrentando a sua mais grave crise financeira. “Atualmente, a UNRWA enfrenta uma escassez de fundos para cobrir os custos de atividades essenciais, como escolas para meio milhão de crianças, que para cobrir o ano de 2015 custa 101 milhões de dólares. No momento, a UNRWA só poderia pagar os salários e as atividades até setembro”, explicou.

Em relação ao financiamento de emergência da UNRWA, Krähenbühl ressaltou que a agência está em uma situação terrível. O financiamento para o apelo da Síria em 2015 atingiu apenas 27% do necessário. Como resultado, a agência teve que diminuir a frequência e o valor da ajuda financeira que é distribuída aos refugiados da Síria em situações de extrema vulnerabilidade.

No Líbano, os refugiados da Palestina que vieram da Síria não estão recebendo assistência para moradia, o que está afetando gravemente as famílias que não tem condições de garantir seu próprio abrigo. O apelo da UNRWA para a reconstrução de Gaza, orçado em 720 milhões de dólares, recebeu aproximadamente 216 milhões de dólares em doações.

Tendo em vista as necessidades sem precedentes enfrentadas pelos refugiados da Palestina e as contribuições ficando cada vez mais aquém da demanda, Krähenbühl disse que a UNRWA terá que implementar medidas rigorosas para reduzir os custos e preservar os serviços essenciais.

Levando em conta as preocupações manifestadas pelos refugiados, funcionários e governos anfitriões, Krähenbühl confirmou que os serviços de saúde, saneamento e assistência e serviços sociais serão mantidos em 2015. Ele ressaltou a urgência de mobilizar todo o apoio necessário para acabar com a lacuna de financiamento, garantindo a continuidade dos serviços de educação.

A UNRWA vai organizar uma consulta especial com os governos anfitriões dentro de dez dias para trocar pontos de vista sobre esta situação crítica. O Comitê Consultivo expressa uma vontade coletiva para apoiar a UNRWA e procurar soluções para os atuais desafios.

O comissário-geral expressou a determinação absoluta que a UNRWA tem em viver de acordo com o seu mandato, provendo os serviços, o suporte o respeito que os refugiados da Palestina devem receber.