Um ano após o início da guerra em Gaza, as causas do conflito permanecem sem solução

8 de julho de 2015

Gaza destruída durante o conflito em julho de 2014. Foto: UNRWA / Shareef Sarhan

Gaza destruída durante o conflito em julho de 2014. Foto: UNRWA / Shareef Sarhan

Declaração do Comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Pierre Krähenbühl

Um ano depois do devastante conflito em Gaza que custou a vida de mais de 1500 civis, incluindo 551 crianças, as principais causas do conflito ainda permanecem sem solução. O desespero, a miséria e a negação da dignidade, resultantes da guerra do ano passado e do bloqueio, são situações recorrentes no cotidiano dos cidadãos de Gaza.

As cicatrizes físicas e psicológicas podem ser vistas em todos os lugares da Faixa de Gaza. Inúmeras crianças vivem com traumas sofridos durante a guerra e mais de mil crianças terão que conviver com suas deficiências para o resto da vida. Isto deveria ser um lembrete de que os conflitos são, antes de tudo, medidos pelo custo humano que eles provocam.

Além disso, 315 dias depois do cessar-fogo nenhuma das doze mil casas totalmente destruídas foi reconstruída. Isso deixa 120 mil pessoas desabrigadas. Juntamente com o alto índice de desemprego e a falta de perspectivas para os jovens de Gaza, esta situação representa uma bomba-relógio para a região.

É necessária uma ação política firme em várias frentes para alcançar a mudança necessária do paradigma da Faixa de Gaza, começando com o fim do bloqueio, garantindo direitos e segurança para todos, permitindo a livre circulação de civis e o aumento das exportações de Gaza, para estimular a recuperação econômica. Embora algumas medidas tenham sido tomadas nas últimas semanas, elas estão muito aquém do que é necessário para provocar  uma mudança fundamental nas vidas destas pessoas.

Também é necessário que haja a responsabilização pelas violações do direito internacional humanitário durante o conflito de 2014. As investigações devem prosseguir conforme os padrões internacionais. As vítimas destas violações devem ser prontamente e adequadamente compensadas, e também terem acesso ao tratamento efetivo.

No meio das terríveis circunstâncias de Gaza, a esperança é um bem escasso e ainda assim crucialmente importante. Esta semana, as primeiras famílias de refugiados estão recebendo assistência da UNRWA para reconstruir suas casas totalmente destruídas.  Embora os números sejam pequenos e estejam vindo muito tarde, este desenvolvimento poderia ser significativo se quantidade suficiente do tão necessário financiamento pudesse ser obtido.

Em um Oriente Médio cada vez mais instável, negligenciar as necessidades e os direitos das pessoas de Gaza é um risco que o mundo não deveria estar correndo.