Em videoconferência com crianças de Gaza, chefe da ONU afirma que educação é ‘passaporte para a dignidade’

12 de agosto de 2015
Ban Ki-moon faz videoconferência com crianças de Gaza. Foto: ONU / Rick Bajornas
Ban Ki-moon faz videoconferência com crianças de Gaza. Foto: ONU / Rick Bajornas

“O acesso à educação pode oferecer às crianças de Gaza um ‘ passaporte para a dignidade’ e ajudar a quebrar o ciclo de pobreza e violência que domina a região há décadas” disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Em uma teleconferência realizada na última segunda-feira (10), o secretário-geral da ONU conversou com três crianças refugiadas da Palestina que moram em Gaza e disse que, apesar dos muitos obstáculos e dificuldades em suas vidas diárias, elas continuam comprometidas com a educação e são  “uma inspiração” para todos.

As crianças – Rua’a Naser Abdullah Qdeih, Mahmoud Abu A’amera e Bayan Haniyeh – são estudantes do sistema escolar da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), que atualmente opera 700 escolas no território palestino ocupado, na Jordânia, no Líbano e na Síria, mas que está enfrentando sua mais grave crise financeira.

“É um senso comum investir milhões em educação ao invés de bilhões em armas”, disse Ban, explicando que ele vem clamando aos líderes mundiais para que apoiem a UNRWA. “O custo da educação é baixo. O preço da inércia é muito alto”, acrescentou.

No atual momento, a UNRWA tem fundos suficientes para manter apenas os seus serviços essenciais para proteger a saúde pública, incluindo vacinas para crianças, cuidados primários de saúde, serviços de água e saneamento e alguns programas de emergência até o final de 2015. O fundo é insuficiente para garantir o oferecimento estável dos serviços de educação de setembro em diante.

Bayan Haniyeh, uma refugiada da Palestina de dez anos de idade que mora no campo de Al-Shati, pediu ao chefe da ONU para ajuda-la a defender o seu direito de estudar, apesar da escassez de recursos.

“Quero me tornar uma médica, assim posso ajudar meu povo e servir meu país”, disse Bayan a Ban Ki-moon. “Faço um apelo a você para ajudar as crianças refugiadas palestinas a voltar para a escola e atingir o seu potencial”.

A escassez de financiamento que afeta os serviços de educação da UNRWA vem em meio a uma série de desafios mais amplos voltados para os esforços da ONU para estabilizar a região, incluindo o bloqueio israelense em curso e os esforços de reconstrução paralisados na sequência do conflito de 2014 entre o grupo palestino Hamas e as forças israelenses.

Ao mesmo tempo, Gaza tem hoje uma das mais altas taxas de desemprego no mundo, com mais de 60% da população jovem desempregada.  Além disso, a insegurança alimentar atinge hoje 73% da população. Aproximadamente 80% da população de Gaza depende de ajuda humanitária.

Durante a videoconferência, Ban reiterou que a educação ainda é a chave para o desenvolvimento e para a paz em Gaza e em todo o Oriente Médio, principalmente em um momento em que extremistas estão massivamente recrutando jovens em toda a região.

“A educação é um passaporte para a dignidade, prosperidade e segurança”, afirmou. “Ao apoiar a UNRWA, apoiamos a educação, um futuro melhor e uma vida digna para todos”.