Taxa de mortalidade infantil em Gaza aumenta pela primeira vez em 50 anos

18 de agosto de 2015
Dra Kefah El Najjar atende bebê no centro de saúde da UNRWA em Gaza. Foto: UNRWA

Um estudo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) comprovou que a taxa de mortalidade infantil em Gaza aumentou pela primeira vez em cinco décadas. A cada cinco anos, a Agência promove uma pesquisa sobre a mortalidade infantil na região. O diretor de saúde da UNRWA diz que o bloqueio pode estar contribuindo para este aumento.

O número de bebês que morreram antes de completarem um ano de idade esteve em queda ao longo das últimas décadas em Gaza. De 127 mortos por 1000 nascidos vivos em 1960 a 20.2 por 1000 em 2008. No último relatório, em 2013, a taxa aumentou para 22,4 mortos por 1000 nascidos vivos.

“A mortalidade infantil é um dos melhores indicadores de saúde da comunidade”, explica o Dr. Akihiro Seita, diretor do programa de saúde da UNRWA. “Ela reflete a saúde do bebê e da mãe e é um dos indicadores principais dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU”.

Seita explica que “a taxa diminuiu em toda a região, inclusive em Gaza, sem grandes desafios ao longo das últimas décadas. Os resultados da pesquisa de 2013 nos surpreenderam ao apresentar o aumento. Nós trabalhamos com grupos de pesquisa externos que examinaram estes dados, para então termos a confirmação de que o aumento realmente ocorreu. Por isso levamos tanto tempo para lançarmos as novas estatísticas”.

Este é um aumento sem precedentes durante o trabalho do Dr. Seita no Oriente Médio. “O progresso no combate à mortalidade infantil geralmente não regride. Esta parece ser a primeira vez que identificamos um aumento como este”, explica o médico. “Os únicos exemplos de casos assim que eu consigo pensar são alguns países da África que passaram por epidemias de HIV”.

A UNRWA vai liderar outra pesquisa em toda a região ocupada por refugiados da Palestina em 2018. Entretanto, por conta destes dados alarmantes, a Agência realizará uma pesquisa apenas em Gaza ainda este ano.

“É difícil saber exatamente o que causou este aumento, tanto na mortalidade neonatal quanto na infantil, mas eu receio que isto seja parte de um problema maior. Nós estamos muito preocupados com o impacto que o bloqueio   a longo prazo tem sobre as instalações de saúde e sobre a chegada de equipamentos e medicamentos em Gaza”, alerta Seita.

O relatório da UNRWA também ressalta que a pesquisa mais recente foi realizada antes do conflito do ano passado, onde 2 mil palestinos foram mortos, a maioria civis, dos quais 550 eram crianças.