UNRWA declara aberto novo ano escolar para 500 mil estudantes no Oriente Médio

20 de agosto de 2015

Segundo o comissário-geral da UNRWA, Pierre Krähenbühl, os estudantes palestinos vão voltar para a escola de acordo com o previsto. Foto: UNRWA

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) declarou que o ano letivo começará sem atrasos para 500 mil meninos e meninas no Oriente Médio, onde múltiplas crises e um déficit financeiro quase causaram o atraso da abertura das 685 escolas administradas pela Agência da ONU na região.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que está aliviado com a abertura das escolas da UNRWA e ressaltou que “a educação é um direito, e direitos atrasados são direitos negados”.

“Esta conquista não pode ser subestimada em um momento de crescente extremismo em umas das regiões mais instáveis do mundo” disse o chefe da ONU, que se envolveu pessoalmente no processo de captação de recursos para a UNRWA, levando o problema a níveis políticos mais elevados.

Segundo o comissário-geral da UNRWA, Pierre Krähenbühl, os estudantes palestinos vão voltar para a escola de acordo com o previsto: na Palestina, dia 24 de agosto, na Jordânia no dia 1° de setembro, dia 7 de setembro no Líbano e dia 13 de setembro na Síria.

“A educação é um direito fundamental para as crianças em qualquer lugar do mundo, e nunca deveríamos ter chegado ao ponto de ter o ano escolar da UNRWA com o risco de ser atrasado devido à falta de fundos do nosso orçamento. Mas nós quase chegamos”, conta Krähenbühl.

“E por este motivo nós lutamos bravamente para criar um renascimento da solidariedade aos refugiados da Palestina e para disseminar a compreensão da importância do respeito e realização dos seus direitos e das suas necessidades de forma adequada”, explica.

“Eu tomei esta decisão primeiramente e principalmente devido ao papel essencial da educação para a identidade e a dignidade dos refugiados da Palestina e também por conta do futuro de 500 mil meninos e meninas, que dependem do ensino e das habilidades desenvolvidas nas nossas 685 escolas”, justifica o chefe da Agência.

Krähenbühl lembra que há meses a UNRWA vem chamando a atenção da comunidade internacional sobre os riscos de negligenciar o destino e o apelo dos refugiados da Palestina em um Oriente Médio cada vez mais instável. “Diante das múltiplas crises na região, muitos estiveram à beira de simplesmente negligenciar ou esquecer a humilhação e desespero que perdura há décadas entre os refugiados da Palestina”, conta.

Em nome da Agência, o chefe da UNRWA expressa a sua “profunda apreciação ao Reino da Arábia Saudita, ao Estado do Kuwait e aos Emirados Árabes Unidos – que juntos contribuíram com o valor para cobrir quase metade do déficit de 2015 – e aos Estados Unidos da América, ao Reino Unido, Suíça, Noruega, Suíça e República da Eslováquia, que contribuíram generosamente para ajudar a suprir a escassez de financiamento”.

“Agora nós canalizamos a nossa energia e foco para garantir que nunca mais vamos atingir o estágio em que serviços essenciais da UNRWA estejam em risco. É uma questão de dignidade e respeito para com os refugiados da Palestina e suas crianças”, diz Krähenbühl.

Ban Ki-moon ressaltou que “precisamos fazer tudo o que pudermos para proteger o mandato e os serviços essenciais da UNRWA até o momento em que os refugiados da Palestina tenham o seu problema resolvido no contexto de uma solução justa e duradoura, baseada no Direito Internacional e nas resoluções da ONU”.

A UNRWA é financiada quase exclusivamente por contribuições voluntárias. O apoio financeiro recebido pela Agência recentemente não foi capaz de acompanhar o aumento da demanda por serviços, causada por um número crescente de refugiados em situação de maior vulnerabilidade – principalmente devido ao conflito na Síria e as hostilidades de 2014 .