“A educação é muito importante para mim. É a única maneira de conseguirmos manter nosso respeito.”

16 de setembro de 2015
Saja

Saja Abu Iltayef, uma refugiada da Palestina de 11 anos, vive na área de Sha’af, logo à direita da vizinhança Shujaiya, no lado leste da cidade de Gaza. Ela está cheia de esperança e sonhos com a volta às aulas. Shujaiya, onde 92 mil pessoas vivem em uma área de 6km², é uma das áreas mais densamente populadas da Faixa de Gaza.

A vida não é fácil para Saja e sua família. Shujaiya foi uma das áreas mais afetadas durante as hostilidades de 2014. Além disso, o bloqueio imposto por Israel em Gaza, que já dura 8 anos e restringe severamente o movimento de pessoas e bens, impede muitos refugiados de explorarem oportunidades de trabalho além do enclave costeiro. O pai de Saja é professor, mas com a grande família que tem, é difícil proporcionar tudo que as crianças precisam, especialmente com nenhum de seus filhos mais velhos trabalhando. O Escritório Central de Estatísticas Palestino coloca o desemprego em Gaza em 41,6% para o primeiro trimestre, uma das maiores taxas de desemprego do mundo. De acordo com o Banco Mundial, o desemprego juvenil subiu mais de 60% ao final de 2014.

O apartamento em que Saja mora com sua família está localizado no quarto andar de um edifício com andares subterrâneos. Ele consiste em cinco cômodos – um dos seus pais, um do seu irmão e sua esposa com seu filho pequeno, uma sala de visitas, um cheio de móveis velhos e o último, onde ela costumava dormir e estudar. “Eu costumava dormir neste quarto, mas desde a guerra eu me recuso a dormir ali,” diz Saja. “Eu fico muito assustada, então eu prefiro dormir na sala com meus irmãos mais novos e minhas irmãs. Nós todos nos sentimos mais seguros ali.”