“Depois de 70 dias, eu segurei as novas chaves em minhas mãos.” Primeira família de refugiados de Gaza completa a reconstrução de sua casa totalmente destruída, com o apoio da UNRWA

26 de outubro de 2015
A família Zaza pôde reconstruir sua casa, destruída durante o conflito de julho de 2014, com o apoio da UNRWA. Foto: Tamer Hamam / UNRWA 2015

Mais de um ano depois do devastador conflito na região, a família Zaza é a primeira família de refugiados em Gaza a completar, com o apoio da UNRWA, a reconstrução de sua casa totalmente destruída.

Atef Al Zaza, sua esposa Fatima e seus 12 filhos perderam sua casa em Sha’af, no leste da cidade de Gaza, em julho de 2014, quando ela foi completamente destruída durante os 50 dias de hostilidades.Seus familiares os acolheram até a UNRWA providenciar a assistência financeira temporária para abrigo. Eles então puderam provisoriamente alugar um apartamento pelos 11 meses seguintes quando então mudaram para a sua nova casa reconstruída.

Depois que os assistentes sociais e os engenheiros da UNRWA visitaram a casa de Atef, eles a avaliaram e categorizaram-na como totalmente destruída e inabitável. Em junho de 2015, os governos de Israel e da Palestina chegaram a um acordo para criação de um Mecanismo de Reconstrução do Fluxo Residencial de Gaza. Para possibilitar a reconstrução de casas totalmente destruídas, a UNRWA apresentou pedidos de famílias de refugiados com casas totalmente destruídas que tinham sua documentação pronta. Depois de aprovado, eles puderam iniciar o processo de reconstrução. A família Zaza foi um dos 190 casos de refugiados que tiveram seus documentos submetidos à este processo, que aprovou 170 reconstruções.

Atef estava determinado a lutar contra a depressão e o desespero que contagiaram muitas pessoas em Gaza, e então começou a correr contra o tempo para reconstruir a casa da família: “Eu queria devolver à minha família o lugar íntimo que ela costumava ter antes, eu me desafiei a terminar a reconstrução antes das férias de Eid”, explicou Atef. “Em 70 dias, minha casa foi completamente reconstruída e eu pude segurar as novas chaves em minhas mãos. Naquele momento, me senti aliviado e feliz, e quis dar as chaves à minha esposa e mostrá-la a casa e tudo dentro dela.”

“Fiquei muito feliz e cheio de esperança quando soube que o nosso nome estava incluído na lista de famílias que receberia o dinheiro da UNRWA para arcar com o custo dos materiais de reconstrução,. A guerra ainda está dentro de nós, queimada em nossas almas, mas eu queria que eu e minha família seguíssemos em frente˜, lembra Afef.

Assim que recebeu o primeiro pagamento da UNRWA, Atef encomendou todo o material que ele precisaria para reconstruir a casa da família. ˜Eu estava confiante que a UNRWA me pagaria tudo o que eu deveria receber. Fiquei com os trabalhadores dia e noite, acompanhando, monitorando e supervisionando-os. Todos eles foram encorajados positivamente pela minha atitude e queriam me ajudar a reconstruir a minha casa.”

Agora, quando Atef anda pela sua antiga vizinhança, ele se sente feliz, apesar da destruição que ainda é visível em todo lugar. “O que nós passamos foi muito difícil, um pesadelo, mas agora parece que acabou com um final feliz. A primeira vez que eu vi minha casa, eu senti que agora nós finalmente teríamos a nossa vida normal de volta novamente”, conta Atef.

Os engenheiros da UNRWA confirmaram que 140.190 casas de refugiados da Palestina foram impactadas durante o conflito de 2014, 9.117 foram consideradas totalmente destruídas. Desde o início da resposta de abrigo emergencial de 2014 até outubro de 2015, a Agência distribuiu mais de 130,65 milhões de dólares (excluindo os custos de apoio ao programa) às famílias de refugiados da Palestina que tiveram suas casas danificadas ou demolidas durante as hostilidades.

Devido à falta suficiente de fundos, hoje 13.163 famílias de refugiados que tiveram suas casas destruídas ou severamente danificadas e inabitáveis ainda estão deslocadas.