Tecnologia revoluciona atendimento em postos de saúde da UNRWA

8 de outubro de 2015

A maioria das pessoas já não gosta de ir ao médico, principalmente se tiverem que esperar por horas em uma sala de espera lotada. Mais do que isto, esperar por horas em uma clínica lotada pode ter efeitos prejudiciais para os pacientes que estão tentando se sentir melhor. Mas no Centro de Saúde Am’ari, operado pela UNRWA na Cisjordânia, Ihasn Tannous, de 70 anos, aponta para as cadeiras vazias e diz: “Olha! Muitas cadeiras estão vazias porque as pessoas vêm para as consultas marcadas sem ter que ficar horas esperando. Antes do sistema digital de agendamento, eu esperaria por horas em um corredor lotado junto a outros pacientes. Não havia lugar para sentar e a superlotação me deixava nervoso. Minha pressão subia e atacava a minha diabetes”, lembra.

Ihasn e os milhares de pacientes que visitam as Clínicas de Saúde da UNRWA todo ano vêm se beneficiando de uma das reformas de saúde que a UNRWA fez para melhorar o atendimento aos pacientes: o sistema digital de saúde. O sistema está substituindo os registros em papel nos centros de saúde da UNRWA por registros eletrônicos e faz parte dos esforços contínuos da UNRWA para melhorar a qualidade do atendimento básico de saúde aos refugiados da Palestina. Implementado graças a generosa contribuição de doadores, o sistema digital de saúde se alinha com outras reformas, como o sistema digital de agendamento.

Arquivos eletrônicos tornam mais fácil e rápido o acesso dos médicos às informações do paciente, permitindo mais tempo de contato com os mesmos. Isso leva a exames mais completos, diagnósticos e tratamentos mais precisos e melhores relações entre médico e paciente. Buscas mais rápidas às informações do doente também reduziram o tempo de espera e melhoraram o fluxo de atendimento.

Halima, uma mãe de 35 anos que vive na Jordânia, é outra refugiada da Palestina que notou uma diferença considerável desde a introdução do sistema digital. O filho de quatro anos de Halima, Zeid, teve uma anemia muito grave e quase foi encaminhado ao hospital. Mas o aumento do tempo de contato com os pacientes permitiu que as enfermeiras oferecessem conselhos sobre alimentação adequada. Uma melhora na saúde do menino trouxe muita felicidade a família. O pequeno Zeid também está feliz com as mudanças: “Eu gosto de ir à clínica agora porque é calma e limpa,” conta. “Eu gosto de ver a enfermeira Khawla porque ela gosta de mim e me ensina o que devo comer.”

O sistema eletrônico E-health também permitiu uma melhor gestão dos dados, o que trouxe uma melhoria no monitoramento e acompanhamento dos pacientes, permitindo o rastreamento dos históricos médicos do indivíduo e da família e o levantamento de relatórios que analisam padrões e predisposições a doenças. Essas melhorias significam que os profissionais de saúde da UNRWA têm melhores resultados, incluindo menores taxas de prescrição de antibióticos e uma melhor assistência materna – o que leva a bebês e crianças mais saudáveis.

O Dr. Mohamed Abu Lehya, médico da UNRWA em Gaza, trabalha com a Agência há 29 anos. “Antigamente, nós as vezes enfrentávamos casos de informações de pacientes incorretas, devido ao envolvimento de diferentes médicos no diagnóstico e prescrição de medicamentos,” explica. “O sistema eletrônico garante precisão e transparência nos centros clínicos da UNRWA. Ele nos ajuda a planejar com antecedência e eficientemente avaliar as necessidades dos pacientes. O sistema também contribui para o monitoramento de doenças transmissíveis ao indicar um crescimento de certos sintomas na comunidade, nos permitindo assim tomar medidas cautelares imediatamente.”

O sistema digital de saúde será implementado em 98 dos 137 Centros de Saúde da UNRWA até o fim de 2015. A implementação será ampliada para todos os Centros de Saúde, exceto os da Síria, até o fim de 2016. A implementação completa na Síria dependerá do conflito em curso na região.