Uma profissão mágica: ser professor da UNRWA em Gaza

27 de outubro de 2015

São dez horas na Escola Preparatória para meninas em Nuseirat, no centro de Gaza, e dezenas de meninas vestidas em um uniforme com listras azuis e brancas brincam felizes no jardim da escola, seguindo as instruções da professora de educação física. Os gritos joviais das meninas se misturam com as vozes doces das professoras e das alunas sentando nas salas de aula. Em uma destas salas, Suheir al-Khadi, de 55 anos, está ensinando árabe para a sexta série.

Suheir começou a sua carreira como professora de árabe há mais de 20 anos, na mesma escola da UNRWA onde ela estudou quando criança. “As minhas melhores memórias são dos professores da UNRWA, que, mesmo com os simples meios disponíveis no momento, nos encorajavam e motivavam como refugiadas, e principalmente meninas, a continuarmos nossa educação”, conta. “Quando eu me lembro destes momentos e percebo como as escolas e os estilos de ensino mudaram ao longo do tempo, eu fico impressionada. As escolas da UNRWA são o caminho para o sucesso dos refugiados da Palestina, e eu fico muito orgulhosa de ter estudado e de agora trabalhar em uma escola da UNRWA”.

“Só quando eu comecei a trabalhar como professora eu percebi a mágica desta profissão. É sobre mudar as vidas dessas pequenas meninas, inspirá-las e impactá-las, como uma atriz que precisa impressionar a sua audiência”, conta Suheir.

Segundo a professora, a escola não existe só para ensinar, mas também para cuidar e dar às crianças uma chance se expressarem livremente, “para compartilharem suas tristezas, frustrações, interesses e histórias. Meus professores sempre estavam lá para me apoiar quando eu precisei deles. Isto é uma coisa que eu quero fazer pelos meus alunos também”.

Suheir é apenas uma das 22 mil excelentes profissionais de educação da UNRWA que a Agência parabeniza no dia Mundial do Professor. Ela faz parte de um programa educacional que educa meio milhão de crianças, e só é possível graças ao generoso apoio dos nossos doadores, dentre os quais o maior é o Governo dos Estados Unidos.

Além de ensinar, Suheir encoraja seus alunos a participarem de atividades extracurriculares, como ela fez quando era mais nova. Uma vez ela foi aos Dias Divertidos de Verão da UNRWA em um campo próximo a Ramallah, na Cirsjordânia, onde ela aprendeu a cantar, dançar, nadar e até patinar. “Quando eu voltei para Gaza, o meu professor, Zeinab, me pediu para escrever um relato sobre o campo, e este foi o início de uma pequena série de artigos escolares”, explica. Para recriar a sua experiência positiva, Suheir fundou um grupo de jornalismo há oito anos para encorajar os alunos talentosos a escreverem, se expressarem e pensarem de forma independente. Os melhores artigos são publicados na revista da escola. O modelo bem sucedido deste clube de jornalismo foi adotado em outras escolas da UNRWA.

“Uma vez, em 1995, eu visitei o meu irmão na França e perto da casa dele tinha uma escola. Eu fiquei curiosa para ver e visitar a escola, então eu fui. Quando os professores souberam que eu estava trabalhando em uma escola da UNRWA, eles me perguntaram muitas coisas sobre os nossos métodos de ensino. Eu fiquei orgulhosa em saber que a UNRWA é conhecida no mundo por dar apoio à educação dos refugiados da Palestina”, lembra Suheir.