Membros do parlamento estudantil da UNRWA discutem o impacto dos cortes de eletricidade na educação

23 de dezembro de 2015

A falta de eletricidade torna a vida muito difícil em Gaza, especialmente para as crianças em idade escolar. Gaza depende primariamente de três fontes de energia: a companhia elétrica israelense, a Usina de Energia e Gaza e a rede elétrica egípcia. Essas fontes só atendem a 51% da necessidade da população. Depois da crise de 2014, a provisão de eletricidade foi limitada a seis horas em algumas regiões de Gaza. Um ano depois, a população de Gaza ainda vivencia cortes diários de 12 a 16 horas de duração. Os cortes de eletricidade afetam o aprendizado dos alunos e o ensino dos professores de Gaza.

Este é um tópico amplamente discutido pelo Parlamento Estudantil da Escola para Garotas D da UNRWA em Rafah, ao sudeste de Gaza.

“Depois da escola, eu costumava descansar um pouco antes de fazer minha tarefa de casa, mas agora eu não posso porque o período de luz natural é muito curto e eu preciso terminar meus estudos antes do pôr-do-sol, senão fica escuro e não temos eletricidade em casa para ligar as luzes,” explica Doha Abu Mohaisen, de 12 anos, uma nova integrante do parlamento de sua escola.

“Um dia eu notei que muitos dos meus amigos usavam óculos, e quando eu os questionei, eles disseram que acham que é porque eles usam lampiões recarregáveis para estudar, devido aos cortes de energia, e a luz dos lampiões não ilumina o suficiente,” comentou a sua amiga de 12 anos e colega de parlamento, Imam Shahin.

Alguns estudantes esperam até tarde para fazer suas tarefas de casa, porque é quando, geralmente, a rede elétrica em Gaza volta a fornecer energia às casas.

“Eu e meus irmãos e irmãs, nós ficamos acordados até tarde para poder estudar enquanto há eletricidade, mas no dia seguinte temos que acordar cedo e sempre nos sentimos cansados,” explica o membro do parlamento de 14 anos, Basma Abed.

O professor de Direitos Humanos e coordenador das atividades do Parlamento Escolar, Haneen Al Bana, confirmou a experiência dos estudantes com os cortes de eletricidade: “Os estudantes estão programando sua vida de acordo com o cronograma da eletricidade; eles não conseguem sequer dormir o suficiente porque eles normalmente precisam ficar acordados até tarde da noite para estudar. Eu acredito que isso afeta a sua educação.”

Durante as horas escolares a UNRWA tenta amenizar o impacto dos cortes elétricos nos seus estudantes e professores disponibilizando gerados em suas escolas. Entretanto, estes são comumente barulhentos e representam um custo alto para a Agência, além de poluir o meio ambiente.

Cortes elétricos em Gaza também afetam o setor privado e residências particulares, serviços de saúde e estações de tratamento de água. Um relatório das Nações Unidas de 2012 prevê que até 2020 o fornecimento de eletricidade em Gaza precisará ser duplicado para atender à demanda.