Ser o chefe da família: em Gaza, uma oportunidade de trabalho é normalmente mais do que uma fonte de renda

23 de dezembro de 2015

Reda Abu Shabat, uma refugiada da Palestina de 38 anos, se graduou em 1997 no Centro de Treinamento de Gaza de práticas de negócios e escritório e nos últimos 18 anos tem trabalhado como caixa em um Centro de Saúde da UNRWA em Khan Younis, ao sudeste de Gaza. Reda é a principal provedora na sua família, e com seu salário ela sustenta seu marido e sete filhos, três dos quais são crianças com deficiência.

“Eu amo meu trabalho porque eu sinto que eu sou uma pessoa produtiva na comunidade,” disse Reda. “Minhas três crianças com deficiência demandam muito mais cuidado, tempo e recursos que outras crianças. Este trabalho me dá a chance de sustentá-los e oferecer a eles uma vida digna.”

Reda está orgulhosa por ter a oportunidade de economicamente produtiva e prover para sua família, principalmente dentro do terrível cenário econômico de Gaza desde o bloqueio israelense imposto em 2007.

Encontrar e manter um emprego em Gaza não é um algo fácil. Depois de um sinal inicial de uma leve recuperação no primeiro semestre de 2015, o desemprego no terceiro trimestre de 2015 alcançou 42,7%, um aumento de 1,2% se comparado ao trimestre anterior, de acordo com o Escritório Central Palestino de Estatísticas (PCBS). A situação é ainda pior para as mulheres, para quem as taxas de desemprego chegaram a 58,4% no terceiro trimestre de 2015 e o porcentagem de mulheres jovens desempregadas é de quase 80%. O mercado de trabalho em Gaza também não é sempre justo, no que se refere às condições de trabalho. O PCBS mostra que quase 72% dos empregados do setor privado em Gaza recebem menos que o salário mínimo da Palestina (aproximadamente 370 dólares) e, em sua maioria, as atividades são caracterizadas pela informalidade e pelos altos níveis de instabilidade.

Para homens e mulheres em Gaza, sustentar uma família e planejar um futuro estável e seguro para suas crianças dentro de um contexto socioeconômico instável – agravado pela recorrente violência armada, a destruição de infraestruturas e a interrupção de serviços – é frequentemente um sonho distante.

Reda é uma das que teve sorte: “Este trabalho me deu a chance de cuidar da minha família, mas também me oferece a chance de cuidar dos refugiados da Palestina no Centro de Saúde da UNRWA e esta é outra grande oportunidade que tenho.”