MARATONISTA DE 15 ANOS ENFRENTA ESTEREÓTIPOS EM GAZA

20 de junho de 2016
Inas

“Se você tem um sonho, não tenha medo de segui-lo”

Inas Nofal, uma refugiada da Palestina de quinze anos do campo de Al Maghazi, no centro de Gaza, sonha em se tornar uma maratonista famosa. Por mais de nove meses, ela treinou todos os dias por quatro horas, juntamente com sua professora de educação física, Sami Natil, em um terreno baldio dentro do campo de refugiados.

“Meninas podem ser talentosas no esporte, e elas são capazes de competir”, diz Inas. “Gaza não é só conflito e destruição, nós também podemos ter sucesso. Eu pratico esportes porque eu quero ser saudável, e porque como uma menina eu quero provar que consigo”.

Inas participou de uma maratona pela primeira vez em Beit Hanoun, no norte de Gaza, em novembro de 2015, quando ficou em primeiro lugar. Depois da vitória, ela ficou mais motivada e intensificou os treinos para correr na 4ª Maratona Anual da Palestina, em Belém, na Cisjordânia, que ocorreu em abril de 2016. Inas e outros palestinos de Gaza que sonhavam em participar, contudo, não foram autorizados pelas autoridades israelenses a sair da Faixa de Gaza para o evento.

“Eu fiquei tão empolgada quando recebi o convite para a Maratona da Palestina, e quando eu não consegui a permissão fiquei desiludida”, conta.

O bloqueio em Gaza, que chega ao seu 10º ano em junho de 2016, impõe restrições severas no movimento de pessoas e bens na pequena faixa litorânea. Este não é, porém, o único obstáculo que Inas enfrentou. Devido aos valores conservadores e estereótipos de gênero prevalecentes em Gaza, quando começou a correr Inas sentiu que grande parte da comunidade não concordava com uma menina se envolvendo publicamente em atividades esportivas. Com o tempo, ela percebeu que isso mudou e que as pessoas se acostumaram com suas atividades. Hoje, ela é regularmente acompanhada por outras 15 meninas que também almejam participar de maratonas.

“Mudar pensamentos e preconceitos não é algo muito fácil em Gaza, mas não é impossível”, diz a adolescente.

Inas tem o pleno apoio de sua família, que com frequência acompanha seus treinos para assisti-la e dar suporte. “Eu apoio a minha filha porque ela tem o direito de praticar esportes como qualquer outra pessoa, além de ser bom para a saúde dela”, conta o pai, Mohammed Nofal.

A adolescente ri ao lembrar do seu primeiro treino, quando ela não conseguia correr por mais de meio minuto. Hoje ela facilmente corre 10 quilômetros, e agora se prepara para participar em mais maratonas ao redor do mundo. “Se você tem um sonho, não tenha medo de segui-lo”, é a mensagem de Inas para as outras meninas de Gaza.

A UNRWA apoia atividades físicas para meninas através de suas aulas regulares de educação física nas escolas e de projetos especiais como o Projeto Esportes Sociais nas Escolas, implementado em parceria com a Fundação Real Madrid. O projeto almeja reforçar o espírito de equipe e as habilidades esportivas nas crianças refugiadas, proporcionando a elas um espaço seguro para atividades recreativas. É implementado em 15 das 257 escolas de Gaza, alcançando 580 estudantes. 8 das 15 escolas são para meninas.

A UNRWA também fornece instalações de saúde para meninas e mulheres em Gaza através de seus Projeto Espaços Sociais e Recreativos (SRS, na sigla em inglês), implementado pela Iniciativa de Gênero da UNRWA (GI). No total, a GI apoia as atividades do SRS em 27 organizações comunitárias na Faixa de Gaza, incluindo aulas de literatura em árabe e em inglês, cursos de artes e teatro, clubes do livro e atividades físicas para fins psicossociais.

Apesar de esportes e atividades recreativas não serem uma cura para a erradicação da pobreza, da fome, mortalidade infantil ou doenças, as Nações Unidas os reconhece como ferramentas poderosas para o avanço do desenvolvimento e dos objetivos de alcançar a paz. Fornecendo tais espaços para as mulheres, oportunidades e programas, a UNRWA as empodera a serem mais autoconfiantes e a exercerem papeis proativos na comunidade.